sábado, 20 de outubro de 2012

    

Obrigado e Desculpem...!!

      A hora está a chegar, o meu corpo treme e sinto todo o me corpo a ceder, o sangue que agora percorre o meu corpo tem agora uma força que não tenho a certeza de conseguir suportar. Olho à minha volta e tudo está em festa, eu repito pela milésima vez as palavras que não me deixam a mim descansar e aproveitar totalmente. Avanço de cabeça baixa e todas as vozes se dirigem a mim dizendo-me o óbvio, a pressão suga-me todo a ar dos pulmões e não consigo respirar quando marchando sigo para o destino que me aguarda. A ordem é dada, eu esqueci-me de respirar, esqueci-me de pensar, esqueci-me de tudo e FALHEI. Por segundos parecia um pesadelo, mas então toda a realidade me caí em cima como uma avalanche gelada e fria disfarçada de raiva e desilusão. Agora sem nada a perder, Avancei, fechei os olhos e com a chuva a disfarçar as minhas lágrimas cumpri o meu dever já sem nada dentro de mim, a voz teve de surgir onde não existia antes e a força perdida foi disfarçada até ao último segundo.
      Quando o pesadelo terminou a marcha continuou, sentia toda a desilusão sobre mim, sentia o meu nome amaldiçoado e a vontade de fugir tornava a minha visão turva e os meus passos pesados, todo o esforço despedaçado num segundo de suspensão onde não fui capaz. Vultos de negro gritavam, outras não se ouviam mas o silêncio dentro de mim não tinha um fundo ou um limite onde me pudesse agarrar. As minhas mãos tocam o chão e agradeço a punição que me espera abraçando-a com raiva e desespero, insultos explodem dentro de mim quando a minha “família” é criticada pelos meus atos e o meu coração explode, a minha alma rebenta em mil pedaços e fujo sem saber para onde, sem saber porque, sem saber como tudo aconteceu e como iria acontecer. Fui seguido e quando o meu corpo teve de se aguentar numa sólida parede para evitar a queda fui abordado com conforto que não me conseguia confortar, com palavras que não faziam o mínimo sentido, frases feitas e amarguras da desilusão não me largavam, a raiva e a vontade de fugir para o mais longe possível não cederam, apenas a fechei em mim com toda a força e resignando-me voltei ao meu posto de olhar baixo e de punhos serrados lavados de sangue.
       Já no grupo ao qual já não me acha digno de pertencer mais palavras inundaram a noite dentro de mim e fizeram as inúteis gotas de chuva parecerem agulhas afiadas cravadas no meu corpo. Quando a palavra “União” ecoou sobre o que restava de mim fui levado de novo e com agrado a cumprir pena e foi então, que o momento surgiu, a chuva deixou de molhar a relava debaixo de nós, sendo banalizada pelas lágrimas que ninguém conseguiu conter quando capas pretas se juntaram ao nosso castigo. Nesse momento de crescimento que nuca devia ter terminado eu sofri, sofri por antes não o ter construído de forma perfeita para agora o poder saborear sem angustia mas sim como um puro sonho de liberdade, de família, de UNIÃO!!! Senti-me inútil, insignificante e pequeno frente a tão magnífica demonstração de união e saber. Cada alma existente neste mundo deveria ter feito parte daquele episódio indiscritível, com certeza viveríamos num mundo melhor.
     Escrevo para soltar o que com toda a força estava preso dentro de mim, mas principalmente escrevo para não esquecer e relembrar. Um pedaço de cada um de nós ficou naquele relvado e eu pretendo honrar aquela noite em tudo que serei daqui para a frente. Obrigado e desculpem!

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