quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


Felicidade vs Cultura...!!


           Olhemos à nossa volta, olhemos pela janela ou simplesmente enquanto caminhamos na rua, podemos ver com facilidade todo este conglomerado de acções, acontecimentos e regras que estão pintados em todas as telas que nos rodeiam, olhemos para toda este singularidade de factos e hábitos que tornam o que nos rodeia na denominada “Cultura”.
            Conseguem sentir? Sim, tenho a certeza que sim, o problema é que talvez não saibam que o sentem. A “Pressão”. Sim esta palavra que nos rodeia e faz mover a nossa vida sem nos apercebermos disso. Toda esta energia obscura e oculta que nos impele a agir, tomar decisões e a viver de determinada forma. Pensem um pouco em quantas decisões já tomamos baseadas no que os outros vão pensar. Parece absurdo, ver que a nossa vida parece ser moldada por todos, menos por nos próprios.
            Hoje em dia, pelo menos na cultura ocidental, aceitar a diferença tornou-se muito comum, mas a questão é se existe coragem em cada um de nós para, além de aceitar, fazermos parte deste movimento de mudança e afirmação pessoal. Conseguiremos nós com facilidade rejeitar o que nos foi ensinado e lutar por algo novo e contrário? A questão não pode ser generalizada, mas a verdade é que lutar contra as expectativas que nos criaram e contra as forças invisíveis que observamos a cada momento na nossa vida não será de todo uma tarefa fácil. A pressão a que somos sujeitos e de que somos alvos não dá tréguas, e assim o é, tanto nas bocas e olhos que nos rodeiam como na nossa própria consciência.
            Conseguimos sentir friamente mas com assento delicado a barra metálica atada as nossas costas e vemos como ela nos mantém rectos e seguros, de como ela nos guia e parece facilitar movimentos, mas, se um passo for dado em sentido contrário, a sua rigidez e crítica, todo o frio cortante dos olhares cai sobre nós como uma lâmina, e então pensamos, se toda esta ilusão que nos acolhe é o caminho certo a percorrer, se toda esta programação lógica do nosso ser é correcta e humanizante, se podemos nos designar como sendo “felizes” nesta sociedade.
            A noção de felicidade não pode deixar de ser extremamente interessante, pois o que consideramos agradável e que nos torna felizes certamente não será igual para qualquer outra pessoa, mesmo pertencendo á mesma sociedade. Aqui neste ponto observamos a capacidade de generalizar e de dominar da cultura, podemos ver como ela nos controla e nos faz tomar como adquirido algo, pelo qual não passou qualquer tipo de processo de racionalização, algo que até não nos faria falta ou algo que até nos deixa desconfortáveis, mas a cultura empurra-nos para a adaptação ameaçando-nos com a rejeição. Todo este sistema de opções, situações e modos de viver são publicados em nós como um anúncio a que não podemos fugir. São padronizadas formas de pensar e agir, formas de falar e formas de como nós próprios escolhemos o nosso destino. Até que ponto a cultura nos deixa ter liberdade de escolha?
            Numa lenda grega, quando os deuses decidiram dar o dom da felicidade aos homens, escolheram o coração como lugar mais seguro para o colocar, pois, pensando bem nisto e pensando em todas as políticas capitalistas e consumistas que nos são a cada instante imprimidas, cada vez estamos mais longe de poder abrir as portas á verdadeira felicidade, pois enquanto estamos ocupados com bens matérias, reconhecimento social, e nos deixamos cegar pela ambição afastamo-nos mais de nos podermos olhar ao espelho e termos o vislumbre que a felicidade se encontra dentro de nós. Aquilo que julgamos ser felicidade e que observamos á nossa volta, não passa de um quadro abstracto e cinzento do que ela realmente representa, pois cada um de nós deve criar e idealizar a sua própria felicidade, pois não á padrões, modas, ou catálogos que façam essa selecção e tomem essa decisão por nós.
Ao longo de toda a nossa vida sujeitamos a nossa felicidade e realização pessoal as circunstancias que nos são oferecidas, deixamos o conforto momentâneo se apoderar de nós e deixamo-nos levar pela maré de acontecimentos que nos vai diluindo a capacidade de luta. Numa sociedade com uma cultura amplamente definida não se querem opositores, não se querem manifestantes nem pessoas dispostas a romper o sistema, numa sociedade querem-se seguidores, querem-se regras e padrões que devam ser aplicados e respeitados. É certo e óbvio que tais regras de padrões são necessários á organização social, é certo que nos ajudam a definir o que é certo e o que é errado, a organizar estruturas de apoio em que podemos confiar. Mas quando queremos seguir um caminho novo, diferente daquele que esperavam para nós, diferente e inaceitável em muitas mentes populacionais, o que somos nós comparados com esse conjunto de leis, preconceitos e costumes?
            Com todo este mundo opressor, crítico e de rejeição que nos rodeia apenas o sonho e a força para agir farão a diferença, e questionar o inquestionável é a única forma de evolução e de luta pelo aquilo em que acreditamos e pelas linhas que queremos ver traçadas nas nossas vidas.            
            Por isso, deixêmos as frases emblemáticas e os pensamentos de outros e pegando, não em pincéis nem canetas, mas sim em nós próprios, façamos a nossa própria arte.
Marco Pinheiro

1 comentário:

  1. gosto imenso do teu texto...fico ansiosamente à espera do próximo :) nice blog!!!

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